04/10/2016

Garota, Interrompida

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Sinopse: Quando a realidade torna-se brutal demais para uma garota de 18 anos, ela é hospitalizada. O ano é 1967 e a realidade é brutal para muitas pessoas. Mesmo assim poucas são consideradas loucas e trancadas por se recusarem a seguir padrões e encarar a realidade. Susanna Keysen era uma delas. Sua lucidez e percepção do mundo à sua volta era logo que seus pais, amigos e professores não entendiam. E sua vida transformou-se ao colocar os pés pela primeira vez no hospital psiquiátrico McLean, onde, nos dois anos seguintes, Susanna precisou encontrar um novo foco, uma nova interpretação de mundo, um contato com ela mesma. Corpo e mente, em processo de busca, trancada com outras garotas de sua idade. Garotas marcadas pela sociedade, excluídas, consideradas insanas, doentes e descartadas logo no início da vida adulta. Polly, Georgina, Daisy e Lisa. Estão todas ali. O que é sanidade? Garotas interrompidas.

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Nesse livro temos uma autobiografia da autora, que no final de sua adolescência é internada em um hospital psiquiátrico, e a partir daí terá que aprender a lidar com as dificuldades ali dentro, com as novas pessoas que irá encontrar, e com as dúvidas de sua mente.
Começo dizendo que Garota, Interrompida foi uma pequena surpresa, pois foi bem diferente do que eu estava esperando. Eu imaginava que o livro traria uma história e escrita densa, que me faria emocionar muito durante a leitura, mas ao contrário, eu encontrei uma escrita fluída, um livro curto que não me emocionou, mas me fez refletir. Apesar do tema e de tudo que Susanna viveu ter sido algo bem difícil, ainda mais pra uma jovem no fim da década de 60, mesmo assim, ela conseguiu colocar no papel com toques de leveza, o que facilita muito para quem tem dificuldade para esse tipo de gênero literário.


"Antes que percebêssemos, ela estava de volta. Clique, estalo, "ronda", estalo, clique.
Aquilo não parava nunca, nem mesmo de noite. Era nosso acalanto. Era nosso metrônomo, nosso pulso. Era a nossa vida medida em doses pouco maiores do que as benditas colheradinhas de café. Colheres de sopa, talvez? Colheres de lata, amassadas, transbordantes de algo que devia ser doce, mas era amargo e se esvaía, se derramava sem que pudéssemos sentir seu sabor: nossas vidas."
p. 68


O livro é narrado em primeira pessoa e é formado por pequenos capítulos, capítulos esses que de tão curtos parecem fragmentados da vida de Susanna, ali dentro daquele hospital. Apesar da angústia de estar "presa" ali, acredito que ela encontrou acalanto em outras companheiras tão leais e que isso deve ter facilitado muito a sua passagem pelo McLean.
O que dói no pós leitura, é imaginar que todos os acontecimentos são verídicos e que muitas mulheres, eram as vezes internadas sem ao menos terem comprovadamente uma doença psicológica e ou psiquiátrica, o que não foi o caso da Susanna.




16 comentários:

  1. a história é bem interessante exatamente por esse cunho psicológico, essa tensão! eu curti!
    http://felicidadeemlivros.blogspot.com.br/

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  2. Já conheço esse livro há um bom tempo e sempre tive vontade de ler mas nunca houve oportunidade. O que tinha me atraído era não só o tema, mas o fato de que era autobiográfico e tratava de um período muito difícil da vida da autora, e também me admirei muito por ela conseguir escrever sobre isso de uma forma consideravelmente leve. Concordo com você que o que amenizou mais foram as boas pessoas que ela encontrou por lá, em um momento assim ter companheiras (mesmo que compartilhando a angústia) faz toda a diferença.

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  3. Esse livro sempre mexeu com a minha curiosidade, sabe. Nunca assisti ao filme inteirinho, mas o tema me atrai bastante, fato. Também não sou muito ligada em biografias, a menos que eu seja bem fã da pessoa biografada, mas histórias que contenham clínicas psiquiátricas, distúrbios, "loucura" sempre me deixam fascinada.

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    1. Também é um tema que me atrai demais.
      Beijos

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  4. Eu recentemente adquiri um exemplar desse livro, mas quando comprei, não fazia ideia do que se tratava. Descobri há pouco que era uma autobiografia e até murchei um pouco, mas ainda assim, pela sua resenha, parece seruma ótima história, mesmo com os capítulos curtos.
    Um abraço!

    http://paragrafosetravessoes.blogspot.com.br/

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  5. Há alguns anos atrás bastava ser um jovem rebelde,que já se pensava em internação. É triste!

    Fico imaginando como a Susanna sofreu e outras pessoas na mesma situação.

    Não sei se eu leria esse livro. Mas não deixa de ser uma história para nos fazer pensar. ;)

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  6. Nati!
    Como psicóloga, gosto muito de livros do gênero e sendo uma biografia, ainda mais forte, porque é escrito pela própria autora.
    Naquela época era assim, bastava ser um pouco mais rebelde, ou fora do padrão e já internavam. Imagino o sofrimento....
    “Buscamos, no outro, não a sabedoria do conselho, mas o silêncio da escuta; não a solidez do músculo, mas o colo que acolhe.” (Rubem Alves)
    cheirinhos
    Rudy
    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/
    TOP Comentarista de OUTUBRO com 3 livros + BRINDES e 3 ganhadores, participem!

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    1. Então acredito que será um livro que irá gostar!
      Beijo

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  7. Olá.
    Não é muito um estilo de leitura que eu goste, mas tenho curiosidade sobre o enredo. Espero um dia poder ler. Sua resenha está muito bem elaborada. Obrigada pela dica. Beijos.

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  8. Oi Nati, tudo bem?
    Eu nunca iria imaginar que esse livro era uma autobiografia, eu já tinha visto a capa no instagram, mas nunca parei para ler a sinopse, nem nada, e confesso que a sua resenha me surpreendeu, é um livro que com certeza eu vou querer ler.
    Achei legal a autora saber colocar leveza em uma história um tanto quanto 'complicada', e isso me chamou mais atenção ainda, vou colocar na minha listinha <3
    Ótima resenha. Beijos!
    Lost Words

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