08/02/2018

Dias Perfeitos (nem tão perfeitos assim)

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Dois jovens universitários, Téo e Clarisse, ele de medicina e ela estudando pra ser roteirista de cinema, se encontram casualmente num churrasco e parecem ter uma boa afinidade a primeira vista. Só isso é o suficiente pro solitário Téo se apaixonar por ela e acreditar que é a mulher da sua vida. E isso poderia ser o início de uma história de amor, se ele não fosse alguém obsessivo, louco e que resolvesse a sequestrar pra faze-la perceber que eles tem de ficar juntos. O rapaz resolve leva-la pro hotel onde ela vai pra escrever seu roteiro e que também consta no seu texto. Clarice está sempre dopada e/ou algemada. E essa é a base da história que temos e é aqui que termina o que poderia ser algo incrível pra se tornar uma decepção.

A escrita do Raphael Montes continua tal qual me lembrava de O Vilarejo (na verdade Dias Perfeitos foi escrito antes), ágil, fluida, crua, ele continua colocando pitadas de violência e sadismo. A escrita do autor é o ponto forte do livro, a forma como ele descreve as cenas e seus diálogos diretos, sem rodeios. Mas o desenvolvimento, o enredo, a história em si deixaram a desejar.


Téo seria o grande vilão, um sociopata ou psicopata(preciso me aprofundar mais no tema pra definir em qual dos dois era pro personagem se encaixar), mas ele não passa de um cara obsessivo, babaca, machista, que acha que a Clarice pertence a ele e que só ele a entende. Não gerou nenhuma empatia em mim, eu não me envolvi com ele, justamente por não ter segurado essa ideia de sociopatia, foi um personagem mal construído pra proposta inicial.

Clarice, ao contrário, mostrou que seria uma personagem destemida, forte, dona de si, mas aos poucos foi se mostrando confusa e não foi a situação que a deixou assim, ela foi mudando. Em vários momentos não ficava claro se ela estava tentando enganar o Téo ou se estava havendo algum envolvimento real. Outra personagem, infelizmente mal construída.

A história também não foi muito bem desenvolvida, tiveram várias incongruências e furos no meio do caminho, não teve uma curva dramática, foi tudo linear. Se a intenção do autor era fazer uma ligação/relação direta com o roteiro escrito por Clarice (que consta no livro) também não rolou. Num momento que tudo pareceu que iria virar e ter uma grande reviravolta acabou sendo desperdiçada e para o final ser algo tão, tão, decepcionante. O final não ficou em aberto, mas não fez muito sentido com tudo que já tinha ocorrido.


É difícil fazer uma resenha negativa e sem revelar quase nada da história, por isso não tenho muito mais o que acrescentar. Aqui gosto de presar pelas minhas opiniões e preservar o máximo que acontece no livro para que vocês possam fazer a leitura o mais livre possível de qualquer informação de fora. 

Vi que muitas pessoas, assim como eu, também se decepcionaram, já outras gostaram bastante, então, faça a sua leitura e tire suas conclusões. Depois volte aqui pra me dizer o que achou. Combinado?


3 comentários:

  1. Poxa, achei bem interessante o enredo, mas gosto de resenhas negativas, me dao vontade de tirar minhas proprias conclusoes. Talvez se ele tivessem ido mais a fundo e visto tambem sindrome de estocolmo,vai saber.

    Bites!

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  2. Nossa, que chato! É tão ruim quando o livro tem tudo para lhe surpreender e agradar, mas no final acaba se tornando cansativo e negativo. É uma decepção total!
    Eu nunca li nada do Raphael Montes, por mais que eu tenha muita vontade e curiosidade, mas admito que acabei ficando meio desanimada em começar por esse. Queria ler em ordem de publicação/escrita, para ver como a escrita dele se desenvolveu e evoluiu, mas Dias Perfeitos, com certeza, não é mais a prioridade. Quem sabe eu começo por Jantar Secreto mesmo e vejo se continuo ou não acompanhando o autor.

    www.sonhandoatravesdepalavras.com.br

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  3. Eita, sua resenha tirou qualquer mínima vontade que eu teria de ler esse livro kkk É chato quando lemos uma obra e tem tantos, mas tantos aspectos negativos :/ Tem uns livros que surpreendem de tão ruim. Mas, como você disse, é questão de gosto - por isso é importante a gente resenhar, seja a resenha positiva ou negativa, para dar outra visão da obra

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